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SALA DE IMPRENSA
Impacto no comércio é menor do que o esperado
Márcio C. Medeiros
08/04/2021
José Augusto Gomes lamenta a ineficácia do auxílio emergencial neste novo modelo - Foto: Arquivo: Guto 080421

O superintendente da Associação Comercial e Industrial de Marília, José Augusto Gomes, reconhece que o impacto do novo auxílio emergencial no comércio varejista é menor do que esperado inicialmente. “Deve ser oito vezes menor do que no ano passado”, lamentou o dirigente ao analisar dados estatísticos divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que acredita que 31,2% do que for sacado pela população atendida serão gastos no setor. “Infelizmente o valor e a demora influenciaram muito”, falou o dirigente mariliense ao apontar os desencontros governamentais. “A pandemia é eminente, ou seja, previsível qualquer ação neste sentido de atender a população e combate-la”, falou ao apontar a lentidão na vacinação como outro erro governamental previsível.

De acordo com José Augusto Gomes no ano passado o comércio teve uma injeção de R$ 103,8 bilhões com recursos do auxílio, o que equivale a 35,4% do que foi destinado à população. Segundo a CNC o valor foi importante para a retomada econômica do comércio na primeira fase da pandemia. Na nova rodada do auxílio, R$ 12,75 bilhões devem ser gastos no comércio varejista. “Naquela vez o comércio conseguiu respirar, mas desta vez está parecendo insuficiente”, disse ao lamentar a falta de sensibilidade governamental em acudir o varejo em geral. “Para a economia girar é preciso ter consumo e para isso é preciso de investimento financeiro”, explicou.

O auxílio emergencial de 2020 teve parcelas iniciais de R$ 600, que depois foram reduzidas para R$ 300. Neste ano, será pago um valor médio de R$ 250, que pode variar de R$ 150 a R$ 375. No total, o programa pagou R$ 295 bilhões de reais a 68 milhões de pessoas no ano passado e, neste ano, deve transferir R$ 44 bilhões a 45 milhões de pessoas. “A situação é mais delicada e haveria a necessidade ou de manter ou de aumentar”, comentou. “Jamais diminuir”, acrescentou o dirigente da associação comercial que teme maior intensidade de fechamento de empresas que representam menos postos de trabalho e menor captação de recursos tributários. “Desta forma não ajudará em quase nada”, admite o superintendente da associação comercial de Marília que tinha a expectativa de que o auxílio emergencial colaborasse com o varejo em geral.

Dados apresentados na estatísticas do Banco Central apontam para o aumento do comprometimento da renda das famílias ao longo do primeiro trimestre de 2021 e estima que tenha atingido a média de 30,3%. Desse modo, a previsão é de que uma parcela menor do benefício seja revertida em consumo de bens. No texto divulgado pela CNC, o economista Fábio Bentes, responsável pelo estudo, afirma que, por ser ainda mais contingencial que no ano passado, o novo auxílio emergencial dá baixa margem para perspectivas de consumo. “As famílias vão precisar escolher o gasto. Por isso, para além do consumo básico, como alimentação, a preferência vai ser o abatimento de uma dívida. Ou até guardar esse dinheiro para uma situação de necessidade”, explicou.

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